quarta-feira, 19 de julho de 2017

O VOTO DE JEFTÉ

por Jetúlio Luz

Por envolver sacrifício humano, sem dúvida, esse voto insurge as mais variadas reações e posicionamentos. É bem verdade que ao mesmo tempo que o texto mostra algumas conclusões, mesmo assim não coaduna com o contexto das Escrituras, o que faz uma tamanha divergência de opiniões sobre o assunto.

I. O Contexto, Juízes 11.4-28.

Os Amonitas intentaram contra os Israelitas. Jefté foi procurado pelos anciãos para liderar Israel contra seus inimigos depois de ser expulso da sua casa. Relutante, aceitou ser o líder contra os amonitas. Assim, enviou mensageiros para fins pacíficos. Mas os amonitas o ignorou. Nesse tempo ele faz um voto ao Senhor: "Se totalmente deres deres os filhos de Amom na minha mão, aquilo que, saindo da porta de minha casa, me faz sair ao encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do Senhor" (v. 30-31). Para seu desespero: "Vindo, pois, Jefté a Mispa, à sua casa, eis que a sua filha lhe saiu ao encontro com adufes e com danças; e era ela só, a única; não tinha outro filho nem filha" (v.34). E aqui, surge a problemática!

II. O Voto.

A grande questão do voto de Jefté é baseado em duas interpretações:

1.Ele cumpriu seu voto literalmente em sua filha (30-31), ou

2. Foi simbólico (v.39).

A Bíblia Apologética de Estudo (ICP-Instituto Cristão de Pesquisas), sobre Juízes 11.30-40 diz: "Há duas correntes  de pensamento a respeito desse assunto. A primeira dela diz  que houve o sacrifício da vida da jovem, mas o voto que gerou este fato foi impensado e Deus, apesar de ter-lhe concedido vitória, não aceitou o sacrifício (que se assemelhava ao usado no culto pagão) e muito menos aprovou o temerário voto de Jefté. Logo, se as coisas aconteceram dessa maneira, a punição prevista em Levítico 18.21 e 20.2 não poderia ser aplicada a Jefté, visto que  Jefté não ofertou ao deus Moloque, mas ao Deus de Israel. Isso, no entanto, não avaliza a tese de aceitação divina do voto, serve apenas para demonstrar que o ato de Jefté não deve ser comparado ao pagão de sua época. A segunda corrente defende que esse sacrifício deve ser compreendido à luz do conceito posteriormente desenvolvido pelo apóstolo Paulo - de que todos devemos nos oferecer a Deus como sacrifício vivo (Rm 12.1). Vendo a passagem por este ângulo, é possível entender que Jefté, aconselhado  pelos sacerdotes, tenha oferecido sua filha ao Senhor para serví-lo em sua casa pelo resto da vida, permanecendo virgem (v.38,39). Todavia, esse ato seria um sacrifício tão grande quanto matá-la, quando levamos em consideração o contexto judaico daqueles dias, em que as várias linhagens e suas respectivas famílias constituíam o centro da vida social. Assim, Jefté, ao destinar sua única filha ao serviço do Senhor, com o voto de castidade perpétua, estaria fadado a admitir o fim de sua  própria linhagem. Ainda pelos textos de Levíticos e Deuteronômio (sobre a lei mosaica) entende-se que, realmente, Jefté jamais teria oferecido a própria filha em holocausto, tendo em vista os seguintes pontos: a proibição divina da prática e, consequentemente, a rejeição de Deus a esse tipo de sacrifício, numa consideração ao contexto geral das Escrituras. Por fim, além destas considerações, devemos admitir que, em nenhum momento, encontramos Deus requerendo tal sacrifício de Jefté. O que não justifica questionarmos a justiça divina".

III. Conclusão do Texto.

Respeitando as ilações teológicas, concluo o cumprimento do voto literal de Jefté por o texto ser bem claro, a não ser que pintemos de outras cores o que o texto, literalmente diz: "E sucedeu que, ao fim de dois meses, tornou ela para seu pai, o qual cumpriu nela o seu voto que tinha feito; e ela não conheceu homem; e daí veio o costume de Israel, que as filhas de Israel iam de ano em ano lamentar, por quatro dias, a filha de Jefté, o gileadita" (v.39-40).

1."E cumpriu nela o voto".

O texto é claro ao afirmar, sem dúvida, que ele cumpriu o voto na sua filha literalmente. Não dar nenhuma margem de simbolismo ou outra coisa próxima a isso. Apesar do fato ser uma desvario em Israel, o texto não sugere que ele fez de outra forma, senão o holocausto de sua filha!

2. "e ela não conheceu varão".

Ora, ela era virgem (v.38), logo, não casou. Diz Champlin: "A heroína hebréia não tentou escapar ao terror envolvido no voto de seu pai, mas pediu apenas dois meses de prazo para chorar e lamentar por sua virgindade. O que está envolvido nisso é que, como virgem, ela nunca teria filhos; e essa era a tragédia suprema para as mulheres, nos dias antigos. Ela levaria consigo suas amigas, que lamentariam juntamente, de uma maneira amarga e vocifera, podemos estar certos. Não somente ela seria executada, mas também desceria à sepultura sem filhos. Em Israel, nenhuma tragédia maior do que essa poderia sobrevir a uma jovem". 

3. "O costume de Israel".

Esse costume foi restrito as regiões de Jefté e não um rito religioso para a nação de Israel. Isso tem muito a ver devido a "gravidade" daquele voto em Israel, que certamente, abalou toda uma nação.

IV. Deus aceita voto humano?

O sacrifício humano existiam nas outras nações, como por exemplo entre os moabitas, onde o seu rei ofereceu seu próprio filho em holocausto (2º Reis 3.27). Mas isso era proibido na lei mosaica: "E da tua semente não darás para fazer passar pelo fogo perante Moloque; e não profanarás o nome de teu Deus. Eu sou o Senhor" (Lv 18.21). Caso houvesse essa prática em Israel, o tal seria apedrejado: "Qualquer que, dos filhos de Israel ou dos estrangeiros que peregrinam em Israel, der da sua semente a Moloque, certamente morrerá; e o povo da terra o apedrejará com pedras" (Lv 20.2). Essa prática era "abominável ao Senhor" (Dt 12.31).

Sendo assim, como justifica o voto de Jefté que não foi apedrejado?

O voto de Jefté não altera a lei mosaica. Ele não ofertou a sua filha a Moloque, mas em um gesto de loucura, a Deus. Isso não quer dizer que Deus aceitou. Não é porque os homens cometem loucuras em nome de Deus que Deus os atendem, se fosse assim, estaríamos todos consumidos (Lm 3.22). Nesse caso, Atos 17.30 é propício: "Mas Deus, não tendo em conta os tempos  da ignorância". Ademais, podemos ver que Jefté não oferece sua filha como rito, mas na sua cabeça, como voto, bem distinto das práticas pagãs.

V. O que o voto de Jefté nos ensina.

Nos ensina a loucura da precipitação com viés religioso. Em nenhum momento pensou que sua única filha poderia sair ou um humano, isso fala muito de sua identidade, um quase cananeu. Isso foi uma tragédia e as consequenciais fatais. 

É difícil de conceber o cumprimento do voto literal por causa da lei mosaica quanto ao sacrifício humano, mas o texto sagrado leva-nos a concluir que, infelizmente, Jefté assim procedeu. Agora, o que é digno de destaque é a filha desse juiz de Israel: "Pai meu, abriste tu a tua boca ao Senhor; faze de mim como saiu da tua boca, pois o Senhor te vingou dos teus inimigos" (Jz 11.36). Apesar de está sentenciada, ela agiu com nobreza entrando na história como uma das maiores mulheres de todos os tempos!

Concluo dizendo que as tensões são mais teológicas que Bíblicas!
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Bibliografia

Champlin, Russel. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. Volume II. 2º Edição. Editora Hagnos. 2001.

Bíblia Apologética de Estudo (ICP-Instituto Cristão de Pesquisas).

quinta-feira, 13 de julho de 2017

IMPLICAÇÕES PRÁTICAS DO CALVINISMO AO PENTECOSTALISMO

por Jetúlio Luz

Há um debate efervescente sobre a soteriologia entre as principais vertentes teológicas, a saber, Arminianismo e Calvinismo. Com suas premissas bem elaboradas cada um julga sob suas lentes teológicas qual a melhor desenvoltura quanto seu alvo soteriológico. Entretanto, penso que calvinismo não é só uma questão soteriológica, um pouco mais. O calvinismo é muito mais que um sistema soteriológico, é um modus vivend que não é compatível com o pentecostalismo não só pelo viés teológico, mas com suas implicações práticas. Esquecendo o debate interminável e, ás vezes, infrutífero, me a tenho as implicações práticas do calvinismo sobre alguém que confessa o pentecostalismo.

1. A soberba intelectual.

Conversando uma vez com um calvinista, ele deixou bem claro que nós pentecostais não estudamos o suficiente e por isso eles tem uma preparo maior. Isso diz muito por não ser uma fala isolada, mas que, sem dúvida, representa quase a sua totalidade. Sergio Lima, pastor presbiteriano, em um vídeo intitulado "3 Heresias de Origem Pentecostal" , na altura dos 3 min e 47 segundos, diz: "São pobres pregadores, destituídos do minimo do que é a palavra do Senhor, destituído do mínimo de condições exegética para ler um texto numa língua original, destituído de um minimo de conhecer uma hermenêutica de um texto, destituído da condição de estudar dois, três, quarto ou cinco anos, ou no caso dos presbiterianos que beiram sete anos estudando teologia para ser ordenado, destituído de todas essas coisas, eu só tenho dó" . Esse tipo de fala mostra a dimensão da soberba intelectual fazendo da academia um deus. Isso não é a questão de anti-intelectualismo que tanto debato ((Escrevi sobre isso, click aqui), mas uma leiutura do espírito soberbo e a forma como encaram o conhecimento tornando-o um verdadeiro "bezerro de ouro". Um outro disse que o "maiores pregadores e teólogos são calvinistas", um total desconhecimento do outro lado da cerca. A questão não é a intelectualidade, mas a postura diante dela. Nós pentecostais estamos à caminho da maturidade intelectual, graças a Deus há uma maior compreensão hoje da importância do preparo intelectual, mas em nenhum momento podemos erigir um altar a idolatria do saber. Devemos crescer no conhecimento e não idolatra-lo!

2. Flertar com o racionalismo.

Não me refiro ao racionalismo com sistema filosófico de Descarte, Spinoza, Leibniz, mas o uso da razão em detrimento da espiritualidade. O calvinismo na prática enxerga o "dois mais dois são quatro" para resolver questões espirituais que fogem de seu entendimento teológico. A experiência não tem nenhuma importância, pois tudo tem que passar pelo uso da razão teológica. Não é a toa que vemos calvinistas zombando de experiências espirituais, manifestações pentecostais, etc. Isso vai contra o pentecostalismo, pois apesar de usar as Escrituras como régua hermenêutica e que ela tudo julga e não é julgada por ninguém, acreditamos que Deus fala com o homem de várias maneiras como através de sonhos, revelações, etc. O racionalismo como sistema filosófico endeusa a razão, e dentro do calvinismo isso reflete quando engessa a espiritualidade numa gaiola teológica resumindo a soberania de Deus a compêndios frios e engessados de teologia. As experiências não substituem os ensinos da Bíblia, mas a Palavra de Deus avalia as nossas experiências para não recorrermos em algum erro, sem contudo nega-las.

3. A exígua ênfase ao Espírito Santo.

Acho que um dos grandes "pecados" históricos na teologia calvinista é a pouca ênfase na operação do Espirito Santo como temática separada (Veja por exemplo a Teologia Sistemática de Louis Berkhof que não trata da Pneumatologia, e essa TS é uma das mais clássicas). Enfatizam tanto o "Sola Chritus" que fazem do Espírito Santo um coadjuvante na obra da expiação. Quando se fala do Espírito Santo sempre Ele como "auxiliar" de Cristo em sua obra. Claro que há exceções, mas na sua membresia essa é a impressão que impera e um crente observador logo perceberá. Há uma escassez de sermões sobre a obra e Pessoa do Espírito Santo. Percebo que quando se fala do Espirito Santo sempre está aliado a Cristologia como se o Espírito Santo fosse uma pessoa secundária na trindade divina. Isso não se alinha ao pentecostalismo, pois o movimento pentecostal é o movimento do Espirito. Glorificamos a Cristo pelo Espírito. Adoramos a Deus pelo Espirito e em Espirito oramos a Deus. Que nós pentecostais continuemos elaborando estudos e sermões sobre a terceira Pessoa da Trindade não ignorando seus efeitos ontem e hoje, até o arrebatamento da igreja e não tratando como secundário.

4. A descaraterização da liturgia pentecostal.

A maioria das igrejas calvinistas seguem sua liturgia dentro de um scripit que quase nunca se modificam. A organização racional é seguida a risca. Apesar da igreja pentecostal clássica ter uma liturgia, veja o caso das Assembleias de Deus, um dos diferenciais é a espontaneidade, o que diferencia e muito das demais. É fácil detectar uma igreja que se diz pentecostal com teologia calvinista, a sua liturgia é engessada, nada foge do papel. Não acredito que isso seja salutar para o pentecostalismo. Bom salientar que não estou aprovando esquisitices no culto, mas que por medo dessas coisas estranhas, não podemos achar que a solução é estarmos sob o silêncio sepulcral! 

Tem igrejas pentecostais que já adota o tal de "Principio Regulador do Culto" em seus encontros. Ora, isso é uma invencionice sem tamanho, pois cada denominação cultua sob suas lentes e por mais bíblica que ela seja, sempre tem os gostos pessoais que, infelizmente, são incorporados com cara de piedade. Sabemos sim que cultos tem elementos essenciais, como louvor, pregação, Ceia do Senhor, ofertório, etc, entretanto, isso é um gesso ordinário que não pode ser impedimento para a adoração que Jesus disse "em espirito e em verdade" (João 4.24) e que Paulo disse a igreja de Coríntios: "Quando vos ajuntais, cada um de vós  tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para a edificação" (14.26), e ainda a igreja de Éfeso disse: "falando entre vós com salmo, e hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração" (5.19). Já em muitos púlpitos pentecostais a tentativa de impedir o falar em línguas, profetizar sob a alegação hermenêutica mais superficial possível.

5. O engessamento evangelístico/missionário.

A questão da evangelização no ciclo calvinista é consequência da sua teologia soteriológica. Pois imaginam que para quê evangelizar se tudo estar decretado, pessoas predestinada e eleitas ou não por Deus. Claro que tem uma minoria de igreja calvinista que evangelizam e investe em missões, mas essa não é a realidade da teologia calvinista, isso é exceção. Essa teologia enfraquece o fervor missionário! Uma das características do pentecostalismo é a evangelização e missões. Nascemos como fruto de missões. O pentecostalismo no Brasil é fruto de obra missionária e esse DNA não pode ser ignorado. Somos um movimento das grandes Cruzadas de Reinhard Bonnke, Bernard Johnson, mas também somos a igreja do Ar livre, das Rodoviárias, das passeatas evangelísticas. Somos a igreja da metrópoles mas também do sertão. Isso é DNA. Que Deus nos ajude a não perdemos o fervor missionário.

6. Evangelho elitizado.

Não podemos ignorar que a maioria das igrejas calvinistas tem um alto poder aquisitivo o que naturalmente atrai pessoas mais abastadas. Isso é fato. O grande problema é quando a visão missionaria fica só no mármore e esquece do chão de terra. Converse com um pastor calvinista e percebará nas entrelinhas a tentativa dele conseguir membros abastados para sua igreja! Não podemos esquecer que o pentecostalismo nasceu entre pessoas simples e que, historicamente desenvolveu na "periferia", o seu crescimento se deu entre pessoas simples. Nunca houve essa aceoção entre o doutor e o analfabeto, juntos eles adoram ao mesmo Deus sob o mesmo teto. Sim, acepção de pessoas sempre existiu, nunca houve sistema perfeito, mas dentro do pentecostalismo é normal a mistura de gente sem a preocupação do ter. Claro que nos dias de hoje com a força do capitalismo as cores mudaram consideravelmente, mas a história não é essa. Um pastor não pode ter foco em nível social, mas na condição das almas. Meu clamor é que não venhamos eletizar o evangelho, mas que tenhamos o foco de almas que precisam de Jesus aonde estiver uma alma carente de salvação.

Particularmente acredito que alguém que abraça o calvinismo pode ser tudo, continuísta, carismático, etc, menos pentecostal. Isso por que o escopo teológico do pentecostalismo difere consideravelmente da teologia calvinista. Há uma discrepância teológica irreconciliável. A questão do calvinismo não é só soteriologia, é muito mais, e isso não se deve ignorar. Claro que as considerações que levantei aqui são práticas que vemos no dia-a-dia que tem como pano de fundo a teologia, o que reforça o que acredito e tenho dito: É impossível ser pentecostal e calvinistas ao mesmo tempo, as disparidades teológicas e suas implicações não podem ser ignoradas tornando-se impossível de harmonizar.

A QUESTÃO DOS DINOSSAUROS À LUZ DA BÍBLIA E DA CIÊNCIA

Os dinossauros, palavra que quer dizer "lagartos terríveis" (do grego deinos, "terrível"; e saurus, "lagarto"), foram chamados assim pela primeira vez em 1842, pelo anatomista inglês Richard Owen. Esses magníficos animais, vistos pela maioria das pessoas como monstros ferozes e sanguinários, pertenciam apenas a um grupo da grande variedade de seres vivos que habitaram o nosso planeta no passado. Segundo os especialistas, os dinossauros erma em sua maioria herbívoro, ou seja, vegetarianos. Que eles existiram é evidente pelo grande número de fósseis e pegadas que a partir de 1824 começaram a ser descoberto em todos os cantos do mundo, inclusive no Brasil.

A cada dia surgem novos fósseis e novas espécies são identificadas. Fósseis são restos de animais, como ossos, dentes, garras, pele e até ovos que foram "petrificados" ou "imprimidos" na rocha e, mais raramente, "conservados" dentro de certos materiais como gelo e âmbar em um processo conhecido como fossilização. Até agora, os paleontólogos, cientistas que investigam os fósseis, já catalogaram mais de 1.500 espécie de dinossauros, das quais 15 foram registradas em solo brasileiro. Na classificação, apenas os terrestres são chamados de dinossauros, sendo os voadores denominados de pterossauros e os aquáticos, de plesiossauros.

Na verdade, pouco se sabe sobre o ambiente, aparência e comportamento desses animais. Muitas coisas, como a cor e os sons emitidos por eles são meras suposições. Não sabemos também se eram animais de sangue frio ou de sangue quente. Com uma coisa, porém, os paleontólogos concordam: era criaturas singulares que viveram no mundo antigo.

I - O que diz a ciência

O que mais tem intrigados os cientistas é o que provocou o misterioso e repentino desaparecimento dos dinossauros: Alterações climáticas, inversão dos pólos magnéticos, vulcanismo, escassez de alimentos, doenças ou aqueda de um asteroide ou cometa? Com a descoberta em 1978 de uma estrutura de múltiplos anéis enterradas na penísula de Yucatan, no Golfo do México, mais tarde confirmada por imagens de satélite, medindo de 180 km a 300 km de extensão, e que se acredita tenha sido originada pela queda de um corpo celeste, a teoria do impactou passou, desde então, a ser a mais aceita para explicar a extinção em massa dos dinossauros.

Porém, se a teoria dos impacto for verdadeira, provavelmente nenhum animal escapou de tamanha destruição. E os evolucionistas precisam acreditar que algumas espécies sobreviveram  para originarem as que existem hoje pelo lento, gradual e aleatório processo da seleção natural. No entanto, para a decepção dos darwinistas, nunca foi encontrado um único fóssil de transição que demonstre que as espécies atuas descendem das espécies do passado. Para justificar as ausência desses animais intermediários, os evolucionistas agora acreditam que a cada extinção em massa a evolução ocorre em saltos repentinos (!), forçando sua própria teoria para explicar como esse suposto impacto extinguiu os dinossauros sem a atrapalhar o processo de evolução na Terra. Não querem admitir que o registro fóssil comprova apenas uma coisa: as espécies são fixas e, portanto, não evoluíram uma das outras.

Como criacionistas, rejeitamos totalmente os falsos postulados da Teoria da Evolução e da Cosmovisão Naturalista (1º Tm 6.20,21), mas aceitamos o fato de que os dinossauros existiram e foram possivelmente extintos por uma  catástrofe de proporções globais como demonstra os registros geológicos e fósseis.

II - O que diz a Bíblia

Muitos querem saber se na Bíblia há menção a essas criaturas e ao seu desaparecimento. No Livro de Jó, encontramos nos capítulos 40 e 41 a descrição de dois animais extraordinários, um terrestre e outro aquático, chamados de Beemote (do hebraico Hemotch, "grande besta") e Leviatã (Heb. Liwyathan, "monstro marinho"), que em algumas traduções têm seus nomes substituídos por "hipopótamo" e "crocodilo". Não há dúvida de que o Beemote e o Leviatã, pelas características enumeradas nessas passagens, diferem de qualquer criatura que conhecemos na atualidade. Um animal onde seus ossos são comparados a tubos de bronze, sua cauda como a árvore de cedro e que fazia transbordar um rio com certeza não era um hipopótamo ou elefante )Jó 40.15-24). E muito menos uma criatura que era revestida de uma couraça impenetrável, que expelia fogo de sua boca e fumaça de suas narinas jamais poderia ser um crocodilo comum ou baleia (Jó 41.15-21). Assim como ocorreu em Isaías 14.12-15 e Ezequiel 28.13-18, que descrevem a soberba e queda de dois monarcas e simultaneamente revelam a história de Lúcifer, essas passagens podem também estar descrevendo a anatomia e comportamento de animais e, ao mesmo tempo, estar revelando duas grandes espécies de criaturas que viveram no passado.

O Beemote provavelmente pertencia ao grupo dos saurópodes, dinossauros herbívoros que tinha longos pescoços e caudas, os maiores que já existiram, como o gigante argentinossauro, o bronquiossauro e o mais conhecido de todos, o brontossauro, que media 25 metros de comprimentos, 10 metros de altura e pesava em torno de 35 toneladas. Já o Leviatã poderia ser um tipo de plesiossauro, grande animal marinho que povoara os mares da Terra, como o Kronossauro; ou um supercroc, supercrocodilo de 12 metros (2 metros só a cabeça) e de 10 toneladas, que habitou o norte da África, ambos contemporâneos dos dinossauros. Alguns crêem que o Leviatã era um tipo  de serpente ou dragão marinho, uma espécie ainda desconhecida pela ciência (Is 27.1). É possível que o Leviatã tenha sido o único monstro  a ter escapado das catástrofes que destruíram o mundo antigo, chegando a ser contemplado pelo homem (Sl 104.25,26)), mas que posteriormente foi extinto (Sl 74.13,14). Curiosamente, a baleia azul, um mamífero marinho que chega a ter 33 metros de comprimento e 180 toneladas, é na verdade a maior criatura de todos os tempos, exatamente como diz as Escrituras (Gn 1.21). Infelizmente, esse gigante dos mares está na lista de animais ameaçados de extinção desde 1960.

III - Extinção.

Quanto à época em que os dinossauros foram criados e extintos, e como isso se encaixa na história da criação narrada nos capítulos inicias de Gêneses, há algumas possíveis explicações. Dentre elas, duas se destacam por sua consistência teológica e por interpretarem  literalmente os seis dias da criação: uma considera homens e dinossauros contemporâneos e a outra afirma que pertenceram a criações diferentes. 

A primeira explicação, fortemente defendida pelo Institute for Creation Research (Instituto para a Pesquisa da Criação) e pela maioria dos criacionistas conservadores, ensina que a Terra é jovem (Ex 20.11), tendo entre 6 mil a 10 mil anos conforme as genealogias de Gênesis; que os dinossauros foram criados no quinto e sexto dias juntamente com atuais espécies de animais (Gn 1.20-25); que viveram na mesma época do homem, sem necessariamente terem convivido juntos no mesmo habitat; que pertenceram antes do Dilúvio pelos efeitos da queda do homem ou no Dilúvio por não terem entrado na Arca (Gn 7.,17; 7.21-24; 2º Pe 3.5,6); e que o resto de seus corpos achados atualmente foram fossilizados pelos sedimentos que os soterraram no Dilúvio. Os que crêem que os dinossauros morreram afogados no Dilúvio entendem que os aquáticos (plesossauro) não sobreviveram por muito tempo porque não se adaptaram às novas condições geológicas e climáticas do planeta.

A segunda explicação, conhecida teologicamente como  Teoria da Lacuna ou do Grande intervalo, foi difundida por aqui pela Bíblia de Estudo Scofield. Ela admite as eras geológicas e a teoria do impacto, mas rejeita igualmente a Teoria da Evolução. De acordo com essa posição, a Terra é consideravelmente antiga (Gn 49.26; Hb 3.6); os dinossauros pertenceram a uma era pré-adâmica, compreendida entre Gênesis 1.1 e Gênesis 1.2; e foram extintos por um cataclismo de natureza cósmica associado a queda de Lúcifer. Em resumo, essa interpretação da narrativa da criação entende que o primeiro versículo de Gênesis se refere à Terra original, da qual teriam feitos parte os anjos e dinossauros (Jó 38.4-7; Is 45.18); que o segundo versículo retrataria a Terra caótica, condição em que ficou ser devastada pelo juízo divino contra a rebelião dos anjos caídos (Is 14.12-15; Ez 28.13-18; Ap 12.3,4), onde todas as formas de vida que habitavam o planeta pereceram (Jr 4.23; Ez 32.7,8,13, 15); e que o versículo três em diante descreve a Terra reorganizada nos seis dias da criação, restaurada do caos e repovoada (Gn 1.31; 2.1).

Há ainda outras interpretações que, por alegorizarem o texto de Gênesis para tentarem acomodá-lo à ideia evolucionistas, devem ser descartadas.

Independentemente da posição teológica adotada, não ultrapassemos os limites da revelação bíblica (Dt 29.29; 1º Co 4.6). Que tenhamos prudência e bom senso ao analisarmos esse tema, sempre começando pelo sólido fundamento das Escrituras, sem contudo, desprezarmos as evidências históricas e científicas. Portanto, antes de recorrermos às evidências, devemos compreender que tudo foi criado pelo poder da Palavra de Deus (Hb 11.3; Ne 9.6; Sl 33.6,9; Is 48.13).

Zihad Ali é professor de Física (Licenciatura plena em Física pela UFMT / pós graduação em docência no ensino superior), evangelista da Assembleia de Deus de Cuiabá-MT, professor da escola Dominical de jovens e adultos.

Fonte: Jornal Mensageiro da Paz - Orgão oficial das Assembleia de Deus no Brasil. Edição de Novembro de 2010, página 21.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

A PITONISA DE EN-DOR

por Jetúlio Luz

Um dos textos mais debatidos nas Escrituras, sem dúvida, é 1 Samuel 28.3-25. Os espíritas utilizam esse texto para tentar corroborar suas práticas, e como também, há divergências de interpretações até entre os verdadeiros servos de Deus. 

O povo de Israel estava sob o vulcão dos filisteus. Samuel, o profeta de Israel, já havia morrido. Deus não falara com Saul por nenhum dos meios, quer por sonhos, Urim ou profetas. No desespero, ele procurou uma feiticeira para obter resposta de Deus, já que o Senhor não falara com ele, pois já havia reprovado e passado o seu reinado a Saul. E aqui, ele torna-se presa fácil para os demônios enganá-lo, se aproveitando de seu desespero.

I. A grande questão: Foi Samuel que apareceu ou não?

Esse questionamento vem se arrastando pelos séculos, e com duas interpretações diferentes. Uns, alegam que, de fato, foi Samuel e outros, que foi um espírito demoníaco na aparência de Samuel. Eu, particularmente, não acredito que tenha sido o profeta Samuel. O versículo 3 diz "E Samuel já estava morto...". Ora, o AT condena a consulta aos mortos com grande severidade, como Deus então, permitiria que o seu santo profeta seria canal de engano? É contraditório com o contexto geral das Escrituras.

Tudo bem que a narrativa do texto dá a entender que fosse Samuel ("Samuel disse a Saul", vrs. 15,16), mas é bom lembrar que isso só ocorre depois da pretensa aparição de Samuel a feiticeira, o que mostra, claramente, que a narrativa passa a ser sob a perspectiva de Saul e a feiticeira.

Quando Saul, pede para subir a Samuel, há uma contradição. No versículo 12, ela disse que ver Samuel, mas no versículo 13, quando Saul pergunta o que ela ver, ela diz: "Vejo deuses que sobem da terra". Saul, ainda mais perdido pergunta: "Como é a sua figura?", Ela responde: "Vem subindo um homem ancião, e está envolto numa capa" (v.14). Ora, a principio, ela disse que ver Samuel, mas no desenvolver do diálogo, ela mostra-se ambígua, pois não fala com tanta certeza e deixa em aberto: vejo deuses e um homem ancião! O relato da feiticeira, por si só, já é confuso.

A partir da ambiguidade da feiticeira, o texto diz: "Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra, e se prostrou" (v.14b). A narrativa vai partir dessa perspectiva: Saul, pensa que é Samuel, logo, o texto será sob esse enredo. Além de Saul está desviado do Senhor e reprovado por ele, logo não teria condições espirituais para tal discernimento, sendo presa fácil para os espíritos imundos enganá-lo, estava na dependência dos relatos de uma feiticeira que ele mesmo desterrou (v.3, 9) e que o espírito do engano prevalecia para se manter viva. O ambiente era propício para os demônios se transfigurarem, como disse Paulo, "em anjo de luz" (2 Co 11.14). Assim, entendo como outros que ali era um espírito imundo que se transfigurou na aparência de Samuel para enganar a ambos. Como diz O Novo Comentário da Bíblia, fico com Tertuliano, Jerônimo, Lutero e Calvino: "A assembleia judaica sempre acreditou que Samuel realmente apareceu naquela ocasião, como também era essa a opinião dos primitivos cristãos, como Justino Mártir, Orígenes e Agostinho. Mas, por outro lado, Tertuliano, Jerônimo, Lutero e Calvino acreditavam que um demônio houvesse aparecido em forma de pessoa, fingindo-se de Samuel" (página 321).

A Bíblia Apologética de Estudo (ICP-Instituto Cristão de Pesquisas), sobre esse texto, diz: "Não se pode entender que Samuel, um homem santo durante toda a vida, pudesse, depois de morto, prestar-se a obedecer a pitonisa - mulher abominável-, cometendo um pecado tão claramente proibido por Deus (Ex 22.18; Lv 20.27; Dt 18.19-22; Is 47.13). Não se pode conceber  que Deus tenha proibido a feitiçaria e a consulta aos mortos e, depois, permitir que a feitiçaria trouxesse o espírito de Samuel (Tg 1.17). 

II. A Profecia.

A profecia do falso Samuel, que era demônio na aparência de Samuel, não se cumpriu na sua totalidade, o que contraria a vida do verdadeiro Samuel, o qual a Bíblia diz: "E crescia Samuel, e o Senhor era com ele, e nenhuma de  de todas as suas palavras deixou cair em terra" (3.19, grifo meu). O CACP (Centro Apologético Cristão de Pesquisas), analisando essa falsa profecia, diz: A profecia do falso Samuel, isto é, o que iria acontecer na vida de Saul foi clara, como se vê no versículo 19: “O SENHOR entregará também a Israel contigo na mão dos filisteus, e amanhã tu e teus filhos estareis comigo; e o acampamento de Israel o Senhor entregará na mão dos filisteus” Essa profecia não se cumpriu na íntegra, conforme passaremos a observar: Saul não foi entregue nas mãos dos filisteus; ele se suicidou (1 Samuel 31:4) e seu corpo foi recolhido do campo de batalha pelos moradores de Jabes-Gileade (1 Samuel 31:11-13).

Também não morreram todos os filhos de Saul – este tinha seis filhos e três deles sobreviveram. Morreram na batalha Jônatas, Abinadabe e Malquisua (2 Samuel 31:8-10; 21:8). Esses fatos tornam essa profecia uma flagrante contradição com o testemunho divino a respeito de Samuel, pois está escrito que “o Senhor era com ele, e nenhuma das sua palavras deixou cair em terra” (1 Samuel 3:19)."

Concluindo, acredito que antes de determinar as conclusões, devemos analisar o conjunto da obra, ou seja, o que a Bíblia diz em todo seu contexto. Pois seria um equívoco Deus condenar a necromancia, feitiçaria, e ao mesmo tempo permitir a consulta para sentenciar Saul, que já havia sido reprovado. 

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Bibliografia

O Novo comentário da Bíblia. Edições Vida Nova. 3 Edição. São Paulo, 1997.

Bíblia Apologética de Estudo. 1 Edição. ICP-Instituto Cristão de Pesquisas.

Artigo do CACP-Centro Apologético Cristão de Pesquisas, sobre "A feiticeira de En-Dor", acessado em 30/062017, às 16h.

terça-feira, 27 de junho de 2017

BERNHARD JOHNSON JR


Nasceu em Alameda, Califórnia - EUA, em 20/06/1931. Iniciou seu profícuo ministério, em 1952, pastoreando duas igrejas nos Estados Unidos da América.

Em 1957, chegou ao Brasil onde pastoreou igrejas no sul de Minas Gerais e fundou a Convenção Estadual das Assembléias de Deus daquele estado.

Em 1964, recebendo uma chamada especial de Deus para o evangelismo em massa, fundou a "Cruzada Boas Novas", que mais tarde passou a se chamar "Cruzada Bernhard Johnson". 

Esse trabalho resultou em 225 cruzadas evangelísticas no Brasil e em mais de 70 países do mundo.

Em 1972, fundou, no Brasil, o ICI - Instituto por Correspondência Internacional.

Em 1973, foi co-fundador do Desafio Jovem do Brasil, ocupando a presidência até 1979.

Em 1976, através de uma visão especial dada por Deus, deu início ao arrojado projeto da EETAD - Escola de Educação Teológica das Assembléias de Deus, com sede em Campinas, SP, o qual se consolidou em 1979, com o lançamento do Curso Básico de Teologia.

Em 1980, lançou um programa evangelístico na televisão brasileira, mantido no ar por 7 anos.

Em 1981, fundou a ABEM - Associação Beneficente Evangélica para Menores, em Campinas um trabalho em favor de crianças carentes.

Em 1984, fundou o IBICAMP - Instituto Bíblico de Campinas, para atender as necessidades das mais diversas denominações evangélicas da região.

Em 1987, fundou a FAETAD - Faculdade de Educação Teológica das Assembléias de Deus, em Campinas, lançando o Curso Médio de Teologia e, mais recentemente, o Bacharel de Teologia.

Em 1993, o IBP - Instituto Bíblico Pentecostal, no Rio de Janeiro(RJ), passou a integrar o Ministério Bernhard Johnson.

Pastor Bernhard Johnson foi alvo de diversas honrarias, com títulos honoríficos e de cidadania, tendo, dentre muitos, recebido em 1983, o título de "Doctor of Humane Letters", concedido pela Faculdade Betânia das Assembléias de Deus de Santa Cruz, Califórnia - EUA. Foi também orador oficial em duas Conferências Mundiais Pentecostais: Inglaterra e Quênia.

Pastor Bernhard Johnson, tendo sido chamado para a eternidade em 16/02/1995, deixou para o Brasil um legado inestimável de trabalho em favor do reino de Deus, tanto na área de evangelismo, como nas áreas de ensino teológico e assistência social.

Fonte: Aqui

sábado, 24 de junho de 2017

A PECAMINOSIDADE HUMANA

por Esequias Soares

Muitas teorias foram apresentadas ao longo da história na tentativa de explicar o processo de transmissão do pecado original. As três principais são pelagianismo, o calvinismo e o arminianismo. Essas teorias apresentadas a seguir são gerais, pois todas elas existem as tendências radicais e moderadas e cujos detalhes não são discutidos aqui por absoluta falta de espaço.

PELAGIANISMO

O pelagianismo é a mais antiga dessas teorias. Pelágio foi um britânico (360-420), contemporâneo de Agostinho de Hipona, que se transferiu para Roma e, depois em 409, seguiu com seu discípulo Celéstio, para Cartago, no norte da África. Segundo Pelágio, o pecado de Adão não foi transmitido a a toda humanidade, nem a morte física é resultado do pecado de Adão. Na sua teoria, cada alma é criada imediatamente por Deus, no nascimento de cada pessoa, portanto ela não pode vir ao mundo maculada pelo pecado de Adão. O pecado de Adão diz respeito só a ele e não pode ser imputado sobre o destino de sua posteridade. Pelágio enfatiza-se também a ideia do total livre-arbítrio. Segundo ele, os seres humanos possuem  a graça, capacidade de optar livremente por Deus. Por se tratar de criaturas feitas à imagem de Deus, as pessoas tem condições morais e espirituais de fazerem o bem e evitarem o mal, salvando-se com suas próprias forças. Pelágio dizia ainda "que não existe necessidade da graça para a salvação, pois ela pode ser alcançada por meio da nossa livre-escolha, independente de auxilio eterno" (Geisler, vol. 2, 2010, p.122). Pelágio, a sua doutrina teve acolhida popular e não era considerada herética porque parecia um assunto ético e não teológico. A controvérsia não foi desencadeada com o próprio Pelágio, mas com Celéstio. Agostinho foi o primeiro a constatar o perigo dessa doutrina pelagiana. O bispo de Hipona via nisso uma doutrina de autorredenção disfarçada e completamente contrária ao pensamento soteriológico e cristológico. Isso porque, se as pessoas chegam à salvação se baseando simplesmente na sua natureza criada e na decisão de sua livre vontade, significa que Jesus morreu em vão.

ARMINIANISMO

O arminianismo ensina ao contrário do pelagianismo. Jacó Armínio foi um teólogo holandês de origem reformada (1560-1609) que modificou consideravelmente a linha teológica em que havia sido criado. João Wesley, teólogo e pregador britânico (1703-1719), fez mudanças no pensamento de arminiano. O pecado de Adão corrompeu a natureza humana na sua totalidade, e iniciamos a vida sem nenhuma retidão. O ser humano é incapaz de fazer a vontade de Deus e cumprir os seus mandamentos no tocante às coisas de Deus (grifo nosso). A imagem de Deus no ser humano não foi aniquilada, mas desfigurada, por isso necessita da graça de Deus para superar isso em direção a ele. Essa graça não é irresistível; ela opera de forma suficiente "sobre todos, aguardando a sua livre-cooperação de se tornar salvificamente efetiva" (Geisler, vol.2, 2010, p.123).

O CALVINISMO

O calvinismo defende os cinco pontos aprovados no Sínodo de Dort em 1619-1620, cerca de 60 anos depois da morte de de João Calvino, e muitos duvidam de que ele aprovaria todos  esses pontos. Sã eles: 1) depravação total, 2) eleição incondicional, 3) expiação ilimitada, 4) graça irresistível, e 5) perseverança do santos. Os arminianos concordam em parte com o primeiro ponto e discordam do demais. Ninguém é coagido a ser salvo, Jesus morreu por todos os pecadores, o pecador pode resistir à graça e é possível o crente decair da graça.

Adão é apresentado como figura de Cristo: "o qual é a figura daquele que havia de vir" (Rm 5.14). Existe só um ponto em comum entre Adão e Cristo, um é cabeça  da humanidade caída, representante da morte; o outro, o cabeça da nova eternidade, representante da vida. Fora isso, a comparação paulina é uma antítese que nos enche de gozo. 

Esequias Soares,  pastor da Assembleia de Deus em Jundiaí/SP. Graduado em Hebraico pela USP e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Autor de vários livros e também presidente da Comissão Especial que elaborou a Declaração de Fé das AD no Brasil publicada na AGO em São Paulo/SP em 2017.

Fonte: Soares, Esequias. A Razão Da Nossa Fé. 1 Edição. CPAD. Páginas 92-94. Rio de Janeiro, 2017.

terça-feira, 13 de junho de 2017

O ESPÍRITO SANTO E A EVANGELIZAÇÃO

Neste artigo pensaremos juntos sobre a relação do Espírito Santo com a obra da evangelização, a clara ligação entre Sua manifestação em Atos 2 e Atos 13 e a promoção do evangelho aos d perto e de aos de longe. Apesar do diversos problemas relativos ao crescimento e algumas questões de sincretismo que são preocupantes no panorama geral, vemos que o Espirito Santo tem entrado nos condomínios de luxo de São Paulo e nos vilarejos mais distantes do sertão, colocando a Palavra frente afrente com aquele que jamais a ouvira antes. Há um forte e processo de evangelização no Brasil.

Duas perguntas poderiam surgir perante este quadro: qual a relação entre a expansão do Evangelho e a Pessoa d Espirito Santo? E quais os critérios para uma igreja, cheia do Espírito Santo, envolver-se com a expansão do Reino?

Em uma macro-visão creio que esta relação poderia ser observada em três áreas distintas, porém, inter-relacionadas: a essência da pessoa do Espírito e sua função na Igreja de Cristo; a essência da pessoa do Espirito e Sua função na conversão dos perdidos; e por fim a clara ligação entre os avivamentos históricos e o avanço missionário.

A essência da pessoa do Espirito e sua função na Igreja de Cristo

Em Lucas 24 Jesus prometeu enviar-nos um consolador, que é o Espírito Santo, e que viria sobre a Igreja em Atos 2 de forma mas permanente. Ali a igreja seria revestida de poder. O termo grego utilizado para "consolador" é "parakletos" e literalmente "estar ao lado". É um termo composto por duas partículas: a preposição "para" - ao lado - e "kletos" do verbo "kaleo" que significa chamar. Portanto vemos aqui a pessoa do Espírito, cumprimento da promessa, habitando a igreja, estando ao seu lado para o propósito de Deus. Segundo John Knox a essência da função d Espirito é estar ao lado da igreja de Cristo, fazê-la possuir a face de Cristo e espalhar o Nome de Cristo. Nesta percepção, o Espírito Santo trabalha para fazer a igreja mais parecida com seu Senhor e fazer o nome da Igreja conhecido na terra. A essência da pessoa do Espírito e sua função na conversão dos perdidos.

Cremos que é o Espírito Santo quem convence o homem do seu pecado. O homem natural sabe que é pecado porém apenas com a intervenção do Espírito ele passa a sentir perdido. Há uma clara, e funcional, diferença entre sentir-se pecador e sentir-se perdido. Nem todo homem convicto de seu pecado possui consciência de que estar perdido, portanto, necessitado  de redenção. Se o Espírito Santo não convencer o homem do pecado e do juízo, nossa exposição da verdade de Cristo não passará de mera apologia humana. A igreja plantada mais rapidamente em todo o Novo Testamento foi plantada por Paulo em Tessalônica. Ali o apóstolo pregava aos sábados nas Sinagogas e durante a semana na praça e o fez durante 3 semanas, nascendo ali uma igreja. Em 1 Tess. 1.5 Paulo nos diz que o nosso evangelho não chegou até  vós tão somente em palavras (logia, palavra humana) mas sobretudo em poder (dinamis, poder de Deus), no Espírito Santo e em plena convicção (pleroforia, convicção de que lidamos com a verdade).

O Espírito Santo é destacado aqui como um dos três elementos que propiciou o plantio da igreja em Tessalônica. Sua função na conversão dos perdidos, em conduzir o homem a convicção de que é pecador e está perdido, sem Deus, em despertar neste homem a sede pelo evangelho e atrai-lo a Jesus é clara. Sem a ação  do Espírito Santo a evangelização não passaria de apologia humana, de explicações espirituais, de palavras lançadas ao vento, sem público, sem conversões, sem transformação.

A clara ligação entre os avivamentos históricos e os movimentos missionários. 

Se observarmos os ciclos de avivamentos perceberemos que a proclamação da Palavra torna-se uma consequência natural desta ação do Espírito. Vejamos. Fruto de um avivamento, a partir de 1730 John Wesley durante 50 anos pregou cerca de 3 sermões por dia, a maior parte ao ar livre, tendo percorrido 175.000 km a cavalo pregando 40.000 sermões ao longo de sua vida. Fruto de avivamento, em 1727, a igreja moraviana passa a enviar missionários para todo o mundo conhecido da época, chegando ao longo de 100 anos enviar mais de 3.500 missionários para diversos países.

Fruto de avivamento, em 1855 Deus falou ao coração de um jovem franzino e não muito saudável para se dispor ao trabalho transcultural em um país idólatra e selvagem. Vários irmãos de sua igreja tentavam  dissuadi-lo dizendo: "para que ir tão longe se aqui na América do Norte há tanto o que fazer?" Ele preferiu ouvir a Deus e foi. Seu nome é Simonton (1833-1867) que veio  ao nosso país e fundou a igreja Presbiteriana do Brasil.

Tendo em mente, nesta macro-estrutura, os três níveis de relação entre o Espirito Santo e a evangelização, demos observar alguns valores bíblicos sobre o tema, revelados em Atos 2, durante o Pentecostes.

A palavra afirma que "naquele dia foram acrescentadas quase três mil almas".

O Espírito Santo usando o cenário do Pentecostes para alcançar homens de perto e de longe. Podemos retirar daqui algumas conclusões bem claras. Uma delas  é que a presença do Espírito Santo leva a mensagem para as ruas, para fora do salão e alcança apenas pelos quais o sangue de Cristo foi derramado. Desta forma é questionável a maturidade espiritual de qualquer comunidade cristã que se contente tão somente em contemplar a presença do Senhor.

A presença do Espírito, de forma genuína, incomoda a igreja a sair de seus templos e bancos. A não se contentar tão somente com uma experiência cúltica as domingos. A procurar, com testemunhos santos  e uso da Palavra de Deus, fazer Cristo conhecido aos que estão ao seu redor. Uma igreja revestida do Espírito deve abrir seus olhos também para os que estão longe. além barreiras, além fronteiras, nos lugares improváveis, onde Cristo gostaria  que fôssemos. Que efeito objetivos na construção do caráter da igreja  produziu a presença marcante e transformadora d Espírito?

A ação do Espírito Santo não produziu uma igreja enclausurada. Esta igreja cheia do Espírito Santo passa a crescer onde está e em Atos 8 o Senhor a dispersa por todos os cantos da terra. E diz a Palavra que, "os que eram dispersos iam por toda  parte pregando a Palavra".  Vicedon nos ensina que uma igreja cheia do Espírito é uma igreja missionária, proclamadora do evangelho, conduzida para as ruas.

A ação o Espírito Santo não produz uma igreja segmentada.

Após a ação do Espírito Santo sobre os 120, depois 3.000, depois 5.000, não houve segmentação, divisão, grupinhos na comunidade. Certamente eles era diferentes. Alguns preferiam adorar a Deus no templo, outros de casa em casa. Alguns mas formais, judeus e judaizantes, outros bem informais, gentios. Alguns haviam caminhados com Jesus. Outros não o conheceram tão de perto. Mas essa igreja possuía um só coração e alma, como resultado direto do Espírito Santo. Competições, segmentações, grupinhos, portanto, são uma clara demonstração de carnalidade e necessidade de busca de quebrantamento e entrega a ação do Espírito na vida da igreja.

A ação do Espírito Santo não produz uma igreja autocentrada.

Certamente uma igreja que havia experimentado o poer de Deus, de forma tão próxima e visível, seria impactada pelo sobrenatural. Porém, quando a ação sobrenatural é conduzida pelo Espírito Santo a única pessoa que se destaca é Jesus, a única pessoa exaltada é Jesus, a única que aparece com louvores é Jesus. Esta igreja que experimentou o Espírito no Pentecostes passa, de forma paradoxal, a falar menos  de sua própria experiência e mais da pessoa de Cristo. O egocentrismo eclesiástico não é compatível com as marcas do Espírito. Creio, assim, que nossa herança provinda do Pentecostes precisa nos levar a sermos uma igreja nas ruas (não enclausurada), uma igreja  Cristocêntrica com amor e tolerância entre os irmãos (não segmentadas ou partidária), uma igreja cuja bandeira é Cristo, não ela mesma (não egocêntrica), e por fim uma igreja proclamadora, que fala de Cristo perto e longe.

Que as marcas do Pentecostes continuem a se manifestar entre nós.

Filemon Soares, pastor na Assembleia de Deus - Ministério de Belo Horizonte.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

HISTÓRIA DA ASSEMBLEIA DE DEUS EM MG

A Assembleia de Deus em Belo Horizonte teve início em 17 de Março de 1927, quando Clímaco Bueno Asa chegou a capital mineira e realizou o primeiro culto pentecostal em sua residência, um casa alugada na Rua Peçanha, no bairro Carlos Prates. O Missionário Clímaco, como ficou conhecido, era boliviano de naturalidade e comerciante de profissão, tendo se convertido ao evangelho em 1913, no Estado do Pará, ouvindo uma pregação do Missionário Gunnar Vingren, um dos fundadores da Assembleia de Deus no país. Com a pregação do evangelho, muitas pessoas se converteram e os cultos passaram a ser realizados nas casas dos novos crentes até que, 15 de Janeiro de 1929, a igreja adquiriu um imóvel na rua Uberlândia, n 620 e inaugurou um pequeno templo construído pelos irmãos, que passou a abrigar a sede da igreja. No ano de 1930, o missionário sueco Nils Kastberg chegou a Belo Horizonte, passando a auxiliar nos trabalhos evangelísticos e assumindo, em 02 de Agosto de 1931 a direção da igreja, com a mudança do missionário Clímaco para o interior do Estado. Já no ano de 1932 foram consagrados os primeiros obreiros nacionais em Belo Horizonte, dentre o quais o presbítero Gil Braz Santilhano e o pastor José Alves Pimentel. Como a igreja já não tinha capacidade de abrigar os crentes, foi realizada uma duplicação do templo.

Após dois anos e meio de intenso trabalho, o missionário Nils Kastberg passou a direção da igreja para seu colega sueco Missionário Algot Svensson. Na época a igreja ja contava com diversos pontos de pregação e algumas congregações entre elas a de Venda Nova e Santa Efigênia. O Missionário Algot Svensson assumiu o trabalho no fim de 1933 e, muito dinâmico, solidificou a igreja em Belo Horizonte. Em 1935 efetuou o registro da igreja legalizando-a  como pessoa jurídica, com a denominação  de Sociedade Evangélica Assembleia de Deus. No ano de 1944, a igreja adquiriu um terreno no centro da cidade, à rua São Paulo, e em 1950, iniciou a construção do templo que ainda hoje, abriga a sede da igreja. Nessa época, vário obreiros foram consagrados e o trabalho no interior do Estado começa a florescer, sendo que os obreiros faziam longas viagens, ora a cavalo, ora a pé para dar assistência aos crentes no interior. As cidades de Bom Despacho, Corinto, Caratinga e Pirapora foram às primeiras cidades do interior a conhecerem o evangelho pleno. Em 1953, o Estatuto da igreja sofreu a primeira alteração, mudando a denominação da instituição para Igreja Evangélica  Assembleia de Deus. Em 13 de maio de 1956 foi inaugurado a novo templo sede da igreja. Em 1958, o missionário Algot Svensson viajou de férias para a Suécia e lá faleceu. Os obreiros nacionais já existentes na igreja indicaram para a sucedê-lo o seu co-pastor, Anselmo Silvestre, que com a aprovação da igreja, assumiu a direção do ministério. 

Desde então, o saudoso pastor Anselmo Silvestre presidiu a igreja por mais  de meio século, que em 1979 sofreu a nova mudança de denominação, passando a ser chamada Assembleia de Deus. Ele priorizou a descentralização  do trabalho, com a aquisição de imóveis tanto na capital como no interior do Estado e a construção de templos para a realização de cultos. Muitas frentes de evangelização  foram realizadas, com cruzadas evangelísticas, concentrações e outros eventos que difundiram  o Evangelho, fazendo da Assembleia de Deus uma das maiores igrejas  no Estado. Na área administrativa, o pastor Anselmo Silvestre remodelou a igreja , criando departamentos e Comissões a fim de dar suporte aos desenvolvimento das atribuições eclesiásticas.

Segundo dados da COMADEMG, a Assembleia de Deus em MG, possui hoje, cerca de 12 mil templos, 7.500 pastores e ao menos 400 mil membros. Só o ministério de Belo Horizonte, conta hoje com 50 regionais, 500 templos e uma estimativa de 42 mil membros na capital e em algumas cidades metropolitanas.

Nota do Púlpito Pentecostal: Atualmente, A Assembleia de Deus - Ministério de Belo Horizonte, é presidida pelo pastor Simoni Hélio de Morais, que preside o ministério desde 01 de Julho de 2015, quando foi eleito por ocasião da assembleia extraordinária com 84% dos votos válidos, sucedendo o pastor Moisés Silvestre, neto do saudoso pastor Anselmo Silvestre, que na ocasião, renunciou.

Fonte: Jornal Semeando Benção. página 03, Edição Junho, 2017.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

STANLEY MONROE HORTON


De acordo com nota divulgada pela Assembleia de Deus dos Estados Unidos, Dr. Horton recebeu a sua formação educacional em Los Angeles City College (AA, 1935); Universidade da Califórnia-Berkeley (BS, 1937); Gordon College (agora Gordon-Conwell Theological Seminary) (M.Div, 1944.); Universidade de Harvard (STM, 1945); e Central Baptist Theological Seminary (Th.D., 1959). Ele foi Professor Emérito da Bíblia e Teologia das Assembléias de Deus Theological Seminary (AGTS), onde lecionou 1978-1991. Antes disso, atuou como presidente do Departamento Bíblia no Colégio Central da Bíblia de 1948-1978 e professor no Instituto Bíblico Metropolitano 1945-1948.

O Dr. Horton era reconhecido como o primeiro-ministro da teologia pentecostal. Um renomado estudioso e escritor prolífico, ele continuou a viajar pelo mundo até os 92 anos, visitando 25 países como conferencista. Ele foi o autor de dezenas de livros - muitos dos quais foram traduzidos em vários idiomas, capítulos de livros e manuais publicados e mais de 250 artigos e resenhas de livros.

Entre as suas obras publicadas no Brasil estão Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal (CPAD), Apocalipse (CPAD), O Que a Bíblia Diz Sobre o Espírito Santo (CPAD), Doutrinas Bíblicas: Uma Perspectiva Pentecostal (CPAD), O Avivamento Pentecostal (CPAD), dentre outras.

Faleceu no sábado, 12 de julho de 2014, o Rev. Stanley M. Horton, 98, em Springfield (Missouri, EUA). Estudioso das Escrituras e escritor destacado, Dr. Horton era uma das principais referências da teologia pentecostal da atualidade.

O Rev. Stanley Horton deixa, portanto, um grande legado para o protestantismo evangélico pentecostal, servindo-nos de exemplo de dedicação ao estudo, fervor espiritual e vida de oração.

Fonte: Aqui

sábado, 27 de maio de 2017

ESTEJAM CINGIDOS OS VOSSO LOMBOS

Lucas 12.35 apresenta um imperativo curioso: “Ἔστωσαν ὑμῶν αἱ ὀσφύες περιεζωσμέναι”, que traduzido literalmente resulta em algo como: “esteja a vossa cintura vestida”, ou “estejam os vossos lombos cingidos”!


 A atitude literal aludida nesse texto tem duas referentes possíveis. A primeira diz respeito ao uso de um cinto ou cinturão, o que era parte da armadura de um soldado romano. O cinturão servia tanto para prender a túnica dando maior agilidade em combate, como também protegia alguns órgãos vitais e continha suporte para armas. É nesse sentido que Efésios 6.14 ordena: “Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade” (στῆτε οὖν περιζωσάμενοι τὴν ὀσφὺν ὑμῶν ἐν ἀληθείᾳ).

Considerando o contexto doméstico de Lucas 12.35, no entanto, não é essa imagem bélica que Jesus está usando.

O outro sentido em que a expressão “cingir os lombos” era usada em tempos bíblicos, dizia respeito a levantar e amarrar a túnica, para que todo o pano ficasse acima dos joelhos, a fim de que a pessoa pudesse correr (1 Reis 18.46; 2 Reis 9.1), trabalhar (Lucas 17.7) ou lutar. Encontrei uma ótima ilustração na internet de como isso era feito:


É por causa desse uso que a expressão “cingir os lombos” virou uma metáfora para “ficar preparado, estar pronto, vestir-se para a ação, etc.”. Também nesse sentido de estar preparado podemos entender outros usos da expressão como nos seguintes textos:

Êxodo 12.11: “Desta maneira o comereis: lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis à pressa; é a Páscoa do SENHOR.” (No caso desse texto o uso é literal, não metafórico.).
Jó 38.3: “Cinge, pois, os lombos como homem, pois eu te perguntarei, e tu me farás saber.” (Veja também Jó 40.7)

Provérbios 31.17: “Cinge os lombos de força e fortalece os braços.”

Jeremias 1.17: “Tu, pois, cinge os lombos, dispõe-te e dize-lhes tudo quanto eu te mandar; não te espantes diante deles, para que eu não te infunda espanto na sua presença.”

1 Pedro 1.13: “Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo. (A metáfora é ainda mais clara em, grego, visto que Pedro escreve: “cingindo os lombos do vosso entendimento!”. “Διὸ ἀναζωσάμενοι τὰς ὀσφύας τῆς διανοίας ὑμῶν* νήφοντες τελείως* ἐλπίσατε ἐπὶ τὴν φερομένην ὑμῖν χάριν ἐν ἀποκαλύψει* Ἰησοῦ Χριστοῦ”.

O que Jesus está ordenando em Lucas 12.35, então? Ele está dizendo que enquanto ele está fora, nossa atitude como cristãos deve ser como de escravos que estão prontos para ação e trabalhando, esperando a volta de seu senhor. Por hora, enquanto o esperamos, devemos estar cingidos e trabalhando duro, mesmo enquanto é noite (candeias acesas), pois quando o Senhor voltar, ele mesmo se cingirá (Lucas 12.37) e servirá aqueles que lhe foram fiéis. Aleluia!

Fonte: Aqui