quinta-feira, 20 de abril de 2017

O CALCANHAR DE AQUILES DOS PENTECOSTAIS

por Jetúlio Luz

A expressão Calcanhar de Aquiles "foi criada para designar o ponto fraco de alguém. Segundo a lenda grega, Aquiles, filho do rei Peleu e da deusa Tétis, tornou-se invulnerável quando, ao nascer, foi banhado pela mãe nas águas do rio Estige. Apenas o calcanhar por onde Tétis o segurou não foi molhado e continuou vulnerável. “Algumas variantes dizem que Aquiles foi flechado no calcanhar por Páris, que conhecia seu segredo. Mas não há citações em Homero sobre a morte do herói”, diz o mitólogo Henrique Murachco, da Universidade de São Paulo (Super interessante).

Usarei esta expressão como sinônimo de "ponto fraco", que é o sentido mais comum. Sabendo disto e tendo isto em mente, pegunto: Qual é o ponto fraco de nós pentecostais? Logo, responderei.

Se termos 1906 como data para o pentecostalismo moderno, logo veremos que é um movimento novo, comparado com as igrejas tradicionais, como os batistas, Luteranos, etc. Juntando isto a nossa teologia empírica, chegaremos a uma conclusão lógica: o amadurecimento intelectual do pentecostalismo tem sido paulatinamente. Isto não quer dizer que os pentecostais abominam o conhecimento, mas que em grande escala, como algo natural, ainda demandará tempo para um despertamento intelectual. Hoje, sabemos que há muitos pentecostais que são eruditos e que não devem nada para ninguém, e que muito contribuem para a disseminação da academia entre os pentecostais. Bom lembrar que muitas coisas contribuíram para o anti intelectualismo no pentecostalismo brasileiro.

1. Interpretação errônea de alguns textos.

2º Corintios 3.6 ("a letra mata, mas o Espírito vivifica") e Lucas 12.12 (Porque na mesa hora vos ensinará o Espirito Santo o que vos convenha falar") são dois exemplos equivocados. O primeiro foi interpretado em alusão ao conhecimento (letra), quando na verdade o texto se refere um antagonismos entre lei e graça, e o segundo, foi ensinado que não precisa se preparar-se, porque o Espirito Santo vai nos capacitar, quando na verdade, o contexto fala de perseguição. Como os pentecostais amam a Bíblia e foram ensinados esses dois versículos erradamente, a ideia anti intelectualismo prevaleceu, comprometendo toda uma geração que ainda refletem em nossos dias.

2. Teólogos frios e arrogantes.

Os pentecostais nunca nutriram simpatia por pessoas cheias de conhecimentos mas vazio de poder, e muitos contribuíram para a marginalização da teologia por apresentar uma teologia fria adotando essa postura. Arrotar conhecimentos, e nunca evidenciar "espirito e poder" (1º Co 2.4) não é características dos pentecostais. Isso tem peso! Eu mesmo testemunhei um que se formou em uma bela faculdade teológica e depois passou a ir contra tudo e todos. O ser humano é influenciado por modelo, sendo negativo, naturalmente haverá recusa. Muitos marginalizaram o conhecimento com seu modus vivendi que logo contribuíram para esse anti intelectualismo florescer.

3. Falta de investimento da liderança.

Historicamente, as Assembleias de Deus, maior denominação do Brasil, se preocuparam mais com a expansão do que com a preparação. Nos primórdios realizavam muitas Escolas Bíblicas de Obreiros ainda sob a tutela dos pioneiros, mas mesmo assim era muito pouco. O tempo era exíguo, e a expansão rápida. Isso contribuiu para a falta de investimento formal em novos líderes. Infelizmente, demorou por demais a liderança despertar para a importância da formalização acadêmica. Hoje, com tantas facilidades, é impensável que um obreiro não estude. Deveríamos adotar o critério, sem exceção, que para os novos lideres, além de outros pre-requisitos imprescindíveis, o bacharelado em teologia é condições necessária. Que a nossa liderança, pós centenária, esqueçam um pouco de cimento e cal, e pense nos lideres humanos, temos tamanho suficiente para assim pensar.

4.Manutenção do cabresto.

Infelizmente, o cabresto ainda existe. Pastores que acham que o rebanho é o curral deles e fazem de tudo para não haver uma promoção da formação acadêmica em suas igrejas. Usam meios espúrios para amedrontar os mais incautos e, para nossa tristeza, em alguns lugares funcionam. Como são imperadores, acham que membros são seus súditos que devem mante-los na ignorância, sendo uteis aos seus interesses.

A Consequência

Por não haver investimento nas origens, a geração posterior tem colhido aquele anti intelectualismo. Temos uma geração capaz de fazer de tudo em nome da espiritualidade, sem o minimo conhecimento das Escrituras. Interessante que os pioneiros não eram homens ignorantes, tinha formação acadêmica. Mas, por não haver investimento na proporção da expansão, temos uma geração incapaz de pregar um sermão bíblico, ministrar um estudo bíblico estruturado, uma Escola Bíblica Dominical com professores à altura  do oficio. O mais grave é que essa falta de investimento impossibilitou o conhecimento da teologia pentecostal sem misturas. Hoje, algumas igrejas pentecostais sofrem com o semipelagianismo e, a grande massa, não conhecem nada de arminianismo. Na contramão de tudo isso, as outras escolas fizeram o dever de casa a ponto de encher nossas prateleiras e agora, nossos púlpitos. 

Tenho certeza que muitos por não terem o conhecimento necessário descambam para outras teologias estranhas ao pentecostalismo, crendo que somos inferiores e aqueles "mitos", "gigantes", "papas", o que é um ledo engano. Sabemos que há gigantes pentecostais, de coração e de mentes, na academia. Escritores nacionais e internacionais tem contribuídos para o fortalecimento e conhecimento do que o movimento pentecostal clássico crer e ensina, mas ainda, precisaremos de mais um centenário, se Jesus não vier (Maranata!), para um amadurecimento mais abrangentes e que não haja resquícios de anti intelectualismo.

O que fazer

O caminho a ser trilhado é simples: promover a teologia pentecostal. Levar ao grande público, a massa, que conhecimento e espiritualidade não são antagônicos, mas que devem andar de mãos dadas, porque são complementares. Não existe espiritualidade racional (Rm 12.1) sem o conhecimento (2º Pe 3.18). Jesus disse: "Errais, por não conhecer as Escrituras, nem o poder de Deus" (Mt 22.29). Devemos ter em mente que as duas coisas andam juntas: Escrituras e Poder. Como disse Stanley Horton: "Ninguém pode conhecer as Escrituras à parte do poder de Deus"

Em vez de abarrotar nossas prateleiras de obras destoantes com o pentecostalismo, vamos publicar obras de grande valor. Percebo que "pequenas" editoras pentecostais estão assumindo o compromisso de publicar obras integralmente pentecostais (Veja aqui, por exemplo). Se as grandes editoras confessionais assumissem a dianteiras de se comprometer integralmente com a teologia pentecostal, já seria uma enorme contribuição. Vamos usar os meios de comunicação para promover um pentecostalismo bíblico e sadio. As redes sociais é uma grande ferramenta de conhecimento, bem usado, haverá resultados duradouros. Divulguem centros de ensinos pentecostais idôneos, pastores e mestres pentecostais comprometidos com as Escrituras dignos de serem imitados. Divulgar ao público pentecostal suas obras e seus expoentes, é o caminho a ser trilhado para que vencemos este anti intelectualismo que ainda insistem permanecer em nosso arraial.

Qual é o Calcanhar de Aquiles dos pentecostais? Infelizmente, o anti intelectualismo. Minha oração e desejo do meu coração é uma Teologia Pentecostal SEM MISTURA disponível ao grande público.

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