sábado, 24 de junho de 2017

A PECAMINOSIDADE HUMANA

por Esequias Soares

Muitas teorias foram apresentadas ao longo da história na tentativa de explicar o processo de transmissão do pecado original. As três principais são pelagianismo, o calvinismo e o arminianismo. Essas teorias apresentadas a seguir são gerais, pois todas elas existem as tendências radicais e moderadas e cujos detalhes não são discutidos aqui por absoluta falta de espaço.

PELAGIANISMO

O pelagianismo é a mais antiga dessas teorias. Pelágio foi um britânico (360-420), contemporâneo de Agostinho de Hipona, que se transferiu para Roma e, depois em 409, seguiu com seu discípulo Celéstio, para Cartago, no norte da África. Segundo Pelágio, o pecado de Adão não foi transmitido a a toda humanidade, nem a morte física é resultado do pecado de Adão. Na sua teoria, cada alma é criada imediatamente por Deus, no nascimento de cada pessoa, portanto ela não pode vir ao mundo maculada pelo pecado de Adão. O pecado de Adão diz respeito só a ele e não pode ser imputado sobre o destino de sua posteridade. Pelágio enfatiza-se também a ideia do total livre-arbítrio. Segundo ele, os seres humanos possuem  a graça, capacidade de optar livremente por Deus. Por se tratar de criaturas feitas à imagem de Deus, as pessoas tem condições morais e espirituais de fazerem o bem e evitarem o mal, salvando-se com suas próprias forças. Pelágio dizia ainda "que não existe necessidade da graça para a salvação, pois ela pode ser alcançada por meio da nossa livre-escolha, independente de auxilio eterno" (Geisler, vol. 2, 2010, p.122). Pelágio, a sua doutrina teve acolhida popular e não era considerada herética porque parecia um assunto ético e não teológico. A controvérsia não foi desencadeada com o próprio Pelágio, mas com Celéstio. Agostinho foi o primeiro a constatar o perigo dessa doutrina pelagiana. O bispo de Hipona via nisso uma doutrina de autorredenção disfarçada e completamente contrária ao pensamento soteriológico e cristológico. Isso porque, se as pessoas chegam à salvação se baseando simplesmente na sua natureza criada e na decisão de sua livre vontade, significa que Jesus morreu em vão.

ARMINIANISMO

O arminianismo ensina ao contrário do pelagianismo. Jacó Armínio foi um teólogo holandês de origem reformada (1560-1609) que modificou consideravelmente a linha teológica em que havia sido criado. João Wesley, teólogo e pregador britânico (1703-1719), fez mudanças no pensamento de arminiano. O pecado de Adão corrompeu a natureza humana na sua totalidade, e iniciamos a vida sem nenhuma retidão. O ser humano é incapaz de fazer a vontade de Deus e cumprir os seus mandamentos no tocante às coisas de Deus (grifo nosso). A imagem de Deus no ser humano não foi aniquilada, mas desfigurada, por isso necessita da graça de Deus para superar isso em direção a ele. Essa graça não é irresistível; ela opera de forma suficiente "sobre todos, aguardando a sua livre-cooperação de se tornar salvificamente efetiva" (Geisler, vol.2, 2010, p.123).

O CALVINISMO

O calvinismo defende os cinco pontos aprovados no Sínodo de Dort em 1619-1620, cerca de 60 anos depois da morte de de João Calvino, e muitos duvidam de que ele aprovaria todos  esses pontos. Sã eles: 1) depravação total, 2) eleição incondicional, 3) expiação ilimitada, 4) graça irresistível, e 5) perseverança do santos. Os arminianos concordam em parte com o primeiro ponto e discordam do demais. Ninguém é coagido a ser salvo, Jesus morreu por todos os pecadores, o pecador pode resistir à graça e é possível o crente decair da graça.

Adão é apresentado como figura de Cristo: "o qual é a figura daquele que havia de vir" (Rm 5.14). Existe só um ponto em comum entre Adão e Cristo, um é cabeça  da humanidade caída, representante da morte; o outro, o cabeça da nova eternidade, representante da vida. Fora isso, a comparação paulina é uma antítese que nos enche de gozo. 

Esequias Soares,  pastor da Assembleia de Deus em Jundiaí/SP. Graduado em Hebraico pela USP e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Autor de vários livros e também presidente da Comissão Especial que elaborou a Declaração de Fé das AD no Brasil publicada na AGO em São Paulo/SP em 2017.

Fonte: Soares, Esequias. A Razão Da Nossa Fé. 1 Edição. CPAD. Páginas 92-94. Rio de Janeiro, 2017.

Nenhum comentário:

Postar um comentário