terça-feira, 13 de junho de 2017

O ESPÍRITO SANTO E A EVANGELIZAÇÃO

Neste artigo pensaremos juntos sobre a relação do Espírito Santo com a obra da evangelização, a clara ligação entre Sua manifestação em Atos 2 e Atos 13 e a promoção do evangelho aos d perto e de aos de longe. Apesar do diversos problemas relativos ao crescimento e algumas questões de sincretismo que são preocupantes no panorama geral, vemos que o Espirito Santo tem entrado nos condomínios de luxo de São Paulo e nos vilarejos mais distantes do sertão, colocando a Palavra frente afrente com aquele que jamais a ouvira antes. Há um forte e processo de evangelização no Brasil.

Duas perguntas poderiam surgir perante este quadro: qual a relação entre a expansão do Evangelho e a Pessoa d Espirito Santo? E quais os critérios para uma igreja, cheia do Espírito Santo, envolver-se com a expansão do Reino?

Em uma macro-visão creio que esta relação poderia ser observada em três áreas distintas, porém, inter-relacionadas: a essência da pessoa do Espírito e sua função na Igreja de Cristo; a essência da pessoa do Espirito e Sua função na conversão dos perdidos; e por fim a clara ligação entre os avivamentos históricos e o avanço missionário.

A essência da pessoa do Espirito e sua função na Igreja de Cristo

Em Lucas 24 Jesus prometeu enviar-nos um consolador, que é o Espírito Santo, e que viria sobre a Igreja em Atos 2 de forma mas permanente. Ali a igreja seria revestida de poder. O termo grego utilizado para "consolador" é "parakletos" e literalmente "estar ao lado". É um termo composto por duas partículas: a preposição "para" - ao lado - e "kletos" do verbo "kaleo" que significa chamar. Portanto vemos aqui a pessoa do Espírito, cumprimento da promessa, habitando a igreja, estando ao seu lado para o propósito de Deus. Segundo John Knox a essência da função d Espirito é estar ao lado da igreja de Cristo, fazê-la possuir a face de Cristo e espalhar o Nome de Cristo. Nesta percepção, o Espírito Santo trabalha para fazer a igreja mais parecida com seu Senhor e fazer o nome da Igreja conhecido na terra. A essência da pessoa do Espírito e sua função na conversão dos perdidos.

Cremos que é o Espírito Santo quem convence o homem do seu pecado. O homem natural sabe que é pecado porém apenas com a intervenção do Espírito ele passa a sentir perdido. Há uma clara, e funcional, diferença entre sentir-se pecador e sentir-se perdido. Nem todo homem convicto de seu pecado possui consciência de que estar perdido, portanto, necessitado  de redenção. Se o Espírito Santo não convencer o homem do pecado e do juízo, nossa exposição da verdade de Cristo não passará de mera apologia humana. A igreja plantada mais rapidamente em todo o Novo Testamento foi plantada por Paulo em Tessalônica. Ali o apóstolo pregava aos sábados nas Sinagogas e durante a semana na praça e o fez durante 3 semanas, nascendo ali uma igreja. Em 1 Tess. 1.5 Paulo nos diz que o nosso evangelho não chegou até  vós tão somente em palavras (logia, palavra humana) mas sobretudo em poder (dinamis, poder de Deus), no Espírito Santo e em plena convicção (pleroforia, convicção de que lidamos com a verdade).

O Espírito Santo é destacado aqui como um dos três elementos que propiciou o plantio da igreja em Tessalônica. Sua função na conversão dos perdidos, em conduzir o homem a convicção de que é pecador e está perdido, sem Deus, em despertar neste homem a sede pelo evangelho e atrai-lo a Jesus é clara. Sem a ação  do Espírito Santo a evangelização não passaria de apologia humana, de explicações espirituais, de palavras lançadas ao vento, sem público, sem conversões, sem transformação.

A clara ligação entre os avivamentos históricos e os movimentos missionários. 

Se observarmos os ciclos de avivamentos perceberemos que a proclamação da Palavra torna-se uma consequência natural desta ação do Espírito. Vejamos. Fruto de um avivamento, a partir de 1730 John Wesley durante 50 anos pregou cerca de 3 sermões por dia, a maior parte ao ar livre, tendo percorrido 175.000 km a cavalo pregando 40.000 sermões ao longo de sua vida. Fruto de avivamento, em 1727, a igreja moraviana passa a enviar missionários para todo o mundo conhecido da época, chegando ao longo de 100 anos enviar mais de 3.500 missionários para diversos países.

Fruto de avivamento, em 1855 Deus falou ao coração de um jovem franzino e não muito saudável para se dispor ao trabalho transcultural em um país idólatra e selvagem. Vários irmãos de sua igreja tentavam  dissuadi-lo dizendo: "para que ir tão longe se aqui na América do Norte há tanto o que fazer?" Ele preferiu ouvir a Deus e foi. Seu nome é Simonton (1833-1867) que veio  ao nosso país e fundou a igreja Presbiteriana do Brasil.

Tendo em mente, nesta macro-estrutura, os três níveis de relação entre o Espirito Santo e a evangelização, demos observar alguns valores bíblicos sobre o tema, revelados em Atos 2, durante o Pentecostes.

A palavra afirma que "naquele dia foram acrescentadas quase três mil almas".

O Espírito Santo usando o cenário do Pentecostes para alcançar homens de perto e de longe. Podemos retirar daqui algumas conclusões bem claras. Uma delas  é que a presença do Espírito Santo leva a mensagem para as ruas, para fora do salão e alcança apenas pelos quais o sangue de Cristo foi derramado. Desta forma é questionável a maturidade espiritual de qualquer comunidade cristã que se contente tão somente em contemplar a presença do Senhor.

A presença do Espírito, de forma genuína, incomoda a igreja a sair de seus templos e bancos. A não se contentar tão somente com uma experiência cúltica as domingos. A procurar, com testemunhos santos  e uso da Palavra de Deus, fazer Cristo conhecido aos que estão ao seu redor. Uma igreja revestida do Espírito deve abrir seus olhos também para os que estão longe. além barreiras, além fronteiras, nos lugares improváveis, onde Cristo gostaria  que fôssemos. Que efeito objetivos na construção do caráter da igreja  produziu a presença marcante e transformadora d Espírito?

A ação do Espírito Santo não produziu uma igreja enclausurada. Esta igreja cheia do Espírito Santo passa a crescer onde está e em Atos 8 o Senhor a dispersa por todos os cantos da terra. E diz a Palavra que, "os que eram dispersos iam por toda  parte pregando a Palavra".  Vicedon nos ensina que uma igreja cheia do Espírito é uma igreja missionária, proclamadora do evangelho, conduzida para as ruas.

A ação o Espírito Santo não produz uma igreja segmentada.

Após a ação do Espírito Santo sobre os 120, depois 3.000, depois 5.000, não houve segmentação, divisão, grupinhos na comunidade. Certamente eles era diferentes. Alguns preferiam adorar a Deus no templo, outros de casa em casa. Alguns mas formais, judeus e judaizantes, outros bem informais, gentios. Alguns haviam caminhados com Jesus. Outros não o conheceram tão de perto. Mas essa igreja possuía um só coração e alma, como resultado direto do Espírito Santo. Competições, segmentações, grupinhos, portanto, são uma clara demonstração de carnalidade e necessidade de busca de quebrantamento e entrega a ação do Espírito na vida da igreja.

A ação do Espírito Santo não produz uma igreja autocentrada.

Certamente uma igreja que havia experimentado o poer de Deus, de forma tão próxima e visível, seria impactada pelo sobrenatural. Porém, quando a ação sobrenatural é conduzida pelo Espírito Santo a única pessoa que se destaca é Jesus, a única pessoa exaltada é Jesus, a única que aparece com louvores é Jesus. Esta igreja que experimentou o Espírito no Pentecostes passa, de forma paradoxal, a falar menos  de sua própria experiência e mais da pessoa de Cristo. O egocentrismo eclesiástico não é compatível com as marcas do Espírito. Creio, assim, que nossa herança provinda do Pentecostes precisa nos levar a sermos uma igreja nas ruas (não enclausurada), uma igreja  Cristocêntrica com amor e tolerância entre os irmãos (não segmentadas ou partidária), uma igreja cuja bandeira é Cristo, não ela mesma (não egocêntrica), e por fim uma igreja proclamadora, que fala de Cristo perto e longe.

Que as marcas do Pentecostes continuem a se manifestar entre nós.

Filemon Soares, pastor na Assembleia de Deus - Ministério de Belo Horizonte.

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